OBRIGADO PELA VISITA

O LABORATÓRIO SIDERAL leva até você, somente POSTAGENS de cunho cultural e educativo, que trata do universo; das gentes; das lendas; das religiões e seus mitos, e de forma especial, dos grandes mistérios que envolvem nosso passado. Contém também muitos textos para sua meditação. Tarefa difícil, mas atraente. Neste Blog não há bloqueio para comentários sobre qualquer postagem.

A FOTO ACIMA É A VISÃO QUE TEMOS DA CHAPADA DO ARARIPE, A PARTIR DA NOSSA "VILA ENCANTADA".

sábado, 30 de novembro de 2013

A DIVINA COMÉDIA - Introdução Parte 3/3 - Por Vicente Almeida

Dante no exílio
POEMA "DIVINA COMÉDIA"

Introdução - Parte  03/03


RESUMO DA OBRA DE DANTE

Na sua viagem ele pára para conversar com todos os tipos de pessoas, tanto contemporâneas quanto figuras da Antiguidade e da mitologia. Conforme desce através dos nove círculos do Inferno até Satã, é apanhado em armadilha de gelo no centro da terra e sobe a montanha de sete andares até o Purgatório; vai sendo gradualmente purificado de seus pecados, ficando pronto para ser conduzido pela série de esferas celestiais ao Império de Deus.

O INFERNO: Sua descrição do Inferno sugando as almas para o centro da terra é constituído de nove círculos, é, segundo Vincenza Rubino "uma cratera onde estão distribuídas as almas dos pecadores condenados a penas terríveis.- Está de acordo com a visão do mundo em sua época, conforme Ptolomeu, que dizia ser a Terra o Centro do Universo.

Tinha diante de mim o rei das trevas. O quão fora belo anjo de luz, hoje era feio. Espantei-me ao ver que tinha três caras em uma só cabeça. A cara da frente era vermelha, a da direita, amarelenta, e a da esquerda, negra como a fuligem"

O PURGATÓRIO: É uma montanha formada no lado oposto ao inferno, também constituído de nove partes: as almas, uma vez purificadas, vão subindo os patamares nas encostas da montanha.

Ele narra que ao longo do caminho, encostada à lívida muralha, e com as pálpebras cerzidas com fios de arame, para que os olhos, daqueles que tanto cobiçaram, não vissem luz, uma multidão de sombras vestidas de rude silício; as sombras cantavam, ou melhor, gritavam a ladainha de todos os santos, exclamando em uníssono: - "Maria, orai por nós!".

O PARAÍSO: foi imaginado como o topo do Purgatório. É composto de nove céus, que regem os planetas. No Empíreo, composto de pura luz, vivem Deus e as almas santificada.

Antes de atingirmos o nono céu - o manto real, porque ele cobre todos os demais, vi saírem de um círculo dançante três luzes extremamente brilhantes, que pela sua velocidade soube serem almas das mais preciosas.

Dante chamou a sua obra de "Commédia". O adjetivo "Divina" foi acrescido pela primeira vez em uma edição de 1555 por Giovanni Boccaccio.
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** NOSSO COMENTÁRIO:

A narrativa que vamos apresentar deste poema, não será na forma original, em versos, pois, é cansativo e de difícil entendimento, - tanto quanto as centúrias de Nostradamus.

Faremos a postagem em prosa, descrevendo o significado de cada Canto em nosso tradicional português.

Creditamos a tradução e interpretação do poema "DIVINA COMÉDIA" ao Senhor Helder da Rocha, nosso contemporâneo. Graças a ele é possível melhor compreender de forma mais objetiva, a descrição do INFERNO. Além da tradução em prosa, o Senhor Helder da Rocha ainda nos brinda com inúmeras notas explicativas. 

O Poema foi publicado inicialmente sem gravuras que ilustrassem a narrativa. Com o passar do tempo, muitos desenhistas e pintores consagrados como: Gustave Doré, Sandro Botticelli, Salvador Dali, Michelangelo, William Blake, e o próprio Helder da Rocha, inseriram inúmeras imagens.

Essas ilustrações e gravuras inseridas no decorrer dos séculos, muito enriqueceram a obra, tornando possível acompanhar a narrativa visualizando imagens - Sabemos que uma imagem fala mais do que mil palavras e permite melhor compreensão da narrativa, além de mexer demais com nosso imaginário. Você verá!

O leitor não estranhe ao observar as gravuras/ilustrações e ver que as almas dos personagens envolvidos nas tramas do pecado estão quase ou totalmente despidos, pois era assim que Dante as via no seu mundo imaginário, alegórico ou profético, quem sabe? Seres e lugares apocalípticos também são mostrados.

Na passagem pelo INFERNO, o leitor observará que o sofrimento é de intensidade superior ao do pecado cometido em vida, pois será punido de eternidade em eternidade, segundo o entendimento de Dante.

Vale  esclarecer, que a "Divina Comédia" foi publicada por inúmeras editoras em todo o mundo e cada uma interpreta de forma diferente o seu conteúdo, alegórico ou profético.

Não pretendemos gerar polemica, nem inibir conceitos de religiosidade. Apenas queremos dividir com você, a leitura de uma obra que realmente mexe com nosso imaginário e nos remete a uma meditação sobre as consequências de nossos atos em vida.

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Com esta terceira PARTE concluímos a INTRODUÇÃO.

Nos acompanhe. Há muita coisa do seu interesse em jogo e você não ficará sabendo se ficar isolado dos demais.

Voltaremos em cinco dias com a abertura do 1º Canto sobre o Inferno. Venha conosco ao encontro de Dante Alighieri, e juntos o acompanharemos na sua Odisseia.

SE deseja conhecer o INFERNO e voltar, a hora é esta, acompanhemos os passos do autor - O que você acha, hein?
** Escrito por Vicente Almeida
30/11/2013

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

PRAÇA SIQUEIRA CAMPOS - PALCO DA SAUDADE - Por Vicente Almeida

A PRAÇA SIQUEIRA CAMPOS, localizada no centro da cidade do Crato-CE, no princípio, iluminada por lampiões a gás, já foi decantada por tantos cratenses que parece não haver mais o que falar sobre ela.

VERDADE?

LEDO ENGANO!

COMO tantos outros, queremos aqui deixar registrada a nossa passagem por aquele logradouro tão nosso e tão cheio de encantos.

A PRAÇA marcou de forma indelével os jovens enamorados e boêmios que a transformaram em seu ponto de encontro nos anos cinqüenta, sessenta e setenta. Hoje alguns são sexagenários. Com muita honra sou um deles.

FUI um dos frequentadores dominicais daquele aprazível e aconchegante lugar na década de sessenta! E com a chegada da energia da CELCA, atual COELCE, ficou mais encantadora ainda.

NAS noites de sábado e domingo, os rapazes iam chegando e formando um cordão humano sobre a borda da calçada, circulando toda a praça, ora isolados, ora se agrupando e constituindo novas amizades.

ENQUANTO tagarelavam, observavam as jovens bem vestidas, belas e educadas, desfilando garbosamente dentro daquele círculo, confiantes e livremente, entre admirações e suspiros dos pretensos conquistadores.

OS bancos de marmorite, que havia em abundância, eram ocupados por muitas jovens e pelos mais velhos que iam para observar -fiscalizar filhas, sobrinhas e cunhadas. Era uma rígida disciplina aceita sem muito questionamento.

QUANDO localizávamos aquela que mais nos atraía e ela correspondia, começava o flerte, (piscadelas de olhos), rápido sorriso, e era só. Aí começava nosso sofrimento, pois a partir daí, a gente ficava ansioso aguardando o próximo domingo. É sim, o namoro não caia do céu num vapt vupt, como hoje.

NAQUELE tempo, após o primeiro flerte, transcorriam semanas, às vezes meses até que houvesse uma abordagem direta. E quando faltava coragem ao conquistador, o que era comum, e este era o meu caso, aparecia sempre um mediador para propiciar o encontro.

O CURIOSO é que após 20:00 horas, elas iam sumindo da Praça e ás 21:00 desapareciam completamente, ordem paterna seguida ao pé da letra. Nós rapazes, não tendo mais o que admirar, também íamos esvaziando a praça, deixando-a para os boêmios e noctívagos.

DIFÍCIL imaginar algum cratense ou visitante que não tenha frequentado aquela praça em uma noite de domingo. Ah, que saudades - Bons tempos aqueles!
 sessenta anos - Atente para o detalhe nos pés de benjamim nos canteiros. Era um trabalho artesanal caprichoso e de bom gosto - A Praça se tornou realmente um lugar romântico.

COMO, QUANDO E POR QUEM FOI IDEALIZADA E CONSTRUÍDA A PRAÇA SIQUEIRA CAMPOS? - QUEM PRESIDIU O ATO INAUGURAL? - PORQUE ESCOLHERAM ESSE NOME? A QUEM DEVEMOS ESSE PALCO DE RECORDAÇÕES?

VAMOS abrir o portal do tempo, voar nas asas da imaginação e acampar no passado, início do século XIX, lá por 1915.

ENCONTRAREMOS então, investido da função de Prefeito Municipal do Crato, o Coronel Teodorico Telles de Quental, de 1915 a 1919. Homem sério, enérgico e idealista e pai de seis filhos, três homens e três mulheres, a saber:

Coronel Filemon Fernandes Telles; agropecuarista, três vezes Prefeito Municipal, três vezes Deputado Estadual, e Presidente da Assembléia, ocasião em que exerceu a função de Governo do Estado do Ceará;

Doutor Joaquim Fernandes Telles, médico renomado, articulador da construção da Maternidade que recebeu seu nome, “Maternidade Dr. Joaquim Fernandes Telles” e após quarenta anos, foi alterado a revelia da comunidade cratense e hoje se chama Maternidade São Francisco. Foi Prefeito Municipal e Deputado Federal constituinte em 1.946;

Doutor Antonio Fernandes Telles, cirurgião-dentista, foi gerente do Banco do Cariri (atual BIC) e em 1921 foi o fundador da Farmácia Teles -Onde este narrador que vos escreve trabalhou na função de gerente, na década de sessenta.

As filhas eram: D. Maria Fernandes Telles, D. Teresa de Jesus Telles e D. Fernandina Telles. 

TRANSCORRIA ainda a primeira guerra mundial (1914/1917), quando nosso Prefeito, o Coronel Teodorico Telles de Quental, projetou a construção de uma praça para embelezar o centro da cidade como ponto turístico e apoio aos transeuntes para um ligeiro descanso.

COM essa finalidade utilizou uma quadra no coração da cidade, entre as Ruas Do Commércio (atual Dr. João Pessoa) e Rua do Fogo(atual Senador Pompeu), onde antes havia a Capela de São Vicente, demolida por ordem episcopal e posteriormente construída e transformada na Paróquia de São Vicente Ferrer onde hoje abriga o Santuário Diocesano do Crato.

COMO Praça projetada, seria a primeira do Crato. A Praça 3 de maio viria em 1921, a Praça Francisco Sá viria em 1938 e a Praça da Sé, durante muito tempo foi chamado apenas de quadro da Matriz por que havia apenas o terreno em frente a Igreja da Sé. 

ASSIM decidido, foram iniciadas as obras de construção daquela que seria o ponto de atração mais fascinante da população jovem e boêmia da urbe cratense.

CONCLUÍDA a Praça, optou-se pela denominação de: Praça Siqueira Campos. Essa não era uma pretensão política, tratava-se de uma justa homenagem a uma pessoa que contribuiu para o desenvolvimento do Crato. O homenageado, Senhor Manoel de Siqueira Campos, era um comerciante estabelecido em Crato, um homem sensível à necessidade alheia e ajudava desinteressadamente a todos que o procuravam, distribuindo gêneros alimentícios aos pobres nos tempos de calamidade, quando a seca assolava a região.

SIQUEIRA CAMPOS como se tornou conhecido, mandou efetuar e custeou vários serviços de utilidade pública no Crato, apenas para gerar empregos e minimizar a fome dos necessitados. DENTRE essas obras destacamos o calçamento da atual Rua Dr. João Pessoa, que naquele tempo ainda se chamava simplesmente Rua do Commércio, por que em sua extensão central, se concentrava as casas comerciais da época. Aquela artéria por ser na época a maior Rua, também foi conhecida com o nome de Rua Grande, mas parece que ficou apenas na tradição oral. Desconhecemos registros oficiais com esse nome.

QUANTO à denominação atual de Rua Dr. João Pessoa, somente a partir da de João Pessoa em 26/07/1930, foi que muitos logradouros no Brasil inteiro passaram a receber o seu nome, inclusive a capital do Estado da Paraíba, que também se chamava Paraíba e passou a se chamar João Pessoa. O leitor sabia disso?

ERA admirável o prestígio do Prefeito, Coronel Teodorico Telles de Quental, pois, para a inauguração da Praça recém construída, foram convidados e vieram de Fortaleza em comitiva, os Senhores: Dr. João Tomé de Saboia e Silva, 46º Presidente da Província do Ceará de 1916 a 1920, Dr. José Saboia de Albuquerque, Coronel Antonio Fiúza Pequeno, Secretários do Interior, Justiça e Fazenda respectivamente, e o Dr. Leonardo Mota, Secretário particular do Presidente, além dos jornalistas A. C. Mendes do Correio do Ceará e Júlio de Matos Ibiapina.

VALE esclarecer que essa comitiva fez o trajeto de Fortaleza ao Crato, cerca de 600 km, a cavalo, trocando suas montarias inúmeras vezes nos postos de troca e pousadas ao longo do percurso, e foi festivamente recebida em sua chegada no dia 13 de dezembro, véspera da inauguração da Praça. O trem, meio de transporte de massa, só chegaria ao Crato a partir 1926.

A SOLENIDADE de inauguração teve início ás 09 horas da manhã do dia 14 de Dezembro de 1.917 e foi presidida pelo Exmo. Sr. Dr. João Tomé de Saboia e Silva. Além dele e sua comitiva, ocuparam a tribuna de honra, o Coronel Teodorico Teles de Quental, Prefeito Municipal do Crato, e o homenageado: Sr. Manoel de Siqueira Campos.

A PRAÇA SIQUEIRA CAMPOS inaugurada em 1917, era singela e possuía apenas bancos artesanais de madeira em volta do canteiro central. Sem energia elétrica. A sete em negrito aponta para um poste de lampião a gás. As primeiras arvores estavam recém plantadas e eram ainda pequenos arbustos protegidos por cercados. A frente e a esquerda vemos a casa dos leões - Residencia dos Ascendentes da Professora Dionê Pinheiro. A direita um dos oito sobrados daquele tempo, que em 1947 foi substituído pelo Grande Hotel, demolido 61 anos depois, em 2008.
USARAM da palavra o Prefeito e o Presidente da Província do Ceará que discorreram sobre a inauguração e o homenageado, o qual, na ocasião se manifestou agradecendo a consideração que lhe foi atribuída como Patrono da Praça.

O acontecimento, contou ainda com a presença de autoridades eclesiásticas, civis e militares, representantes de classe, do povo em geral e da banda de música municipal.

SOBRE o homenageado: Manoel de Siqueira Campos. Muitos ainda pensam que ele era pernambucano por que lá viveu e morreu. De fato veio de Pernambuco, da cidade de Triunfo, onde havia fixado residência e se estabelecido comercialmente, mas, nasceu em 18/05/1874, aqui mesmo no Ceará em um lugarejo chamado Vila, a qual posteriormente passou a categoria de cidade e recebeu o nome de Porteiras. 
Esta é a segunda foto mais antiga, com a Praça energizada. Os pés de benjamim nos canteiros ainda eram miniaturas, atente também para a arquitetura dos prédios que contornavam a Praça naquele tempo. Que beleza. -Não conseguimos melhorar a resolução desta foto. 
AINDA NO PORTAL DO TEMPO PASSEMOS SEM MAIS DELONGAS AS BOAS LEMBRANÇAS DOS ANOS DOURADOS!

NESTA visão panorâmica e deste angulo, vemos a Praça Siqueira Campos e lá nos fundos as ruas Senador Pompeu, antiga Rua do Fogo e Monsenhor Assis Feitosa. Os canteiros ainda sem os benjamim. Observe o leitor, a beleza das fachadas das casas, como eram lindos!
A PRAÇA Siqueira Campos do meu tempo era muito bonita, canteiros maravilhosos e bem cuidados, bancos cômodos e condizentes com a época.

AS fotos da Praça, por si falam bem melhor desta postagem, embora em preto e branco mostram sua insinuante beleza, margeada por prédios residenciais em magnífico estilo.

Poderá também o leitor, observar o capricho artístico dos canteiros. Com a chegada da luz elétrica, postes de ferro fundido e bem trabalhado, ornamentavam a Praça e no topo luminárias leitosas. Larga calçada, hoje reduzida para tornar mais largas as ruas ao seu redor. À direita vemos um prédio de dois andares, que vem resistindo à modernidade, é o edifício do "Cassino Sul Americano". Hoje pertencente ao Senhor Francisco de Sousa Brasil Junior.
Cassino Sul Americano resistindo ao tempo e ao vento até hoje 27/11/2013
A PRAÇA SIQUEIRA CAMPOS daquele tempo, era um patrimônio dos nossos anos dourados, poderia ter sido tombada pelo Patrimônio Histórico! Não foi, tudo bem! Poderia ao rodapé do monumento ao seu patrono, ostentar uma placa com dados informativos alusivos a sua construção e não somente aquela que menciona a sua última reforma. Ainda é tempo para essa correção. A história precisa dos historiadores, mas em alguns casos, também precisa do apoio político para manter acesa a sua chama.
É... A Praça Siqueira Campos de outrora era realmente muito bonita e romântica e as copas dos benjamim continuavam sendo bem cuidadas artesanalmente. Em nome do progresso removeram a beleza das ruas destruindo o paralelepípedo. Faltou visão para manter os postes como ornamento. Eram belos. 
CONTUDO, restou em nossas lembranças, muita coisa boa daqueles tempos. A Praça foi cenário de eternas juras de amor com final feliz. Alguns contos quase de fada ali aconteceram e paralelamente as histórias de amor. A Praça Siqueira Campos, também foi palco de encontros de boêmios e seresteiros apaixonados que viravam a noite.
A IDEIA agora é abrir o cofre da memória dos seus frequentadores das décadas de 50, 60, 70 do século passado. antes que tudo passe em definitivo e nada mais reste. Se o leitor é daqueles tempos e conheceu a Praça, sabe o que estamos falando. Bom seria que os saudosistas promovessem anualmente uma noite de saudades lá na PRAÇA SIQUEIRA CAMPOS.
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Esta é a primeira postagem que escrevemos aqui no Laboratório Sideral sobre o passado glorioso da nossa terra o CRATO, terra de antigos caudilhos da política, terra de Bárbara de Alencar e de outros mártires. Hoje o Crato chora a ausência de personagens como aqueles.

NOTA: Credito para Huberto Cabral, -nossa enciclopédia ambulante, que em entrevista, nos prestou valiosas informações sobre a construção e inauguração da Praça Siqueira Campos.
Texto escrito por Vicente Almeida
27/11/2013

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A DIVINA COMÉDIA - Introdução Parte 2/3 - Por Vicente Almeida

Dante e seus poemas
POEMA "DIVINA COMÉDIA"

Introdução - Parte  02/03

Autor: Dante Alighieri

SOBRE A OBRA

Poucos escritores na História conseguiram dar à sua obra um caráter universal e atemporal. Dante Alighieri está entre eles: a viagem metafísica de suas páginas influenciou toda imaginação e cultura ocidentais de tal forma que é quase impossível falar em céu, inferno e purgatório sem se referir  à sua Divina Comédia.

Quando a alma de um homem que ainda não morreu empreende uma jornada pelo inferno, ele aprende o que significa "Viver a Vida". O autor deste poema medieval, Dante Alighieri, trouxe o inferno à vida através de representações extremamente realísticas de tortura, dor, dos demônios e do próprio Satanás.

Esta obra prima foi escrita no período de 1307 a 1321. É constituída de 100 (cem) Cantos, (divisão de longos poemas) divididos em estrofes de três linhas, totalizando 14.233 versos. O livro é volumoso e conforme a editora poderá conter entre duzentas e mais de 1.000 páginas incluindo as imagens. Em volume único ou até 10 volumes.

O sentido desta obra não é simples; ao contrário ela é “polissemia”, pois outro é o sentido literal, outro aquele das coisas significadas. Declarava Dante com essas palavras que a “Divina Comédia” é um poema alegórico. Mas, Não somente no poema há alegorias particulares, como o poema, na sua inteireza, tem uma significação, ou melhor, várias significações alegóricas.

Muitas foram as interpretações que da “Divina Comédia” se fizeram sob esse ponto de vista. Alguns comentadores puseram em maior evidência o seu sentido moral e teológico; outros consideram o poema dantesco como uma obra de inspiração política e ligada intimamente às vicissitudes pessoais do poeta.

Não são, porém, as intenções alegóricas que consagram a imortalidade da “Comédia” dantesca, à qual os pósteros atribuíram a qualificação de divina. “Divina Comédia” é, principalmente, uma formidável obra de fantasia e de representação poética, talvez um dos pontos limites que a inteligência humana pode alcançar.

A obra é dividida em três partes: O Inferno, o Purgatório e o Paraíso. Nossa meta é publicar a parte referente ao "Inferno", que é a que realmente mais interessa ao leitor e mais nos chama a atenção.

Com a ajuda do personagem "Virgílio" - poeta da antiguidade latina, que escreveu Eneida, símbolo da razão divina - Dante percorre esses três pontos: Os dois primeiros terríveis, do Inferno ao Purgatório, para ter o direito de entrar no paraíso com o auxílio de sua doce amada, Beatrice.

Comédia se refere ao sofrimento em antítese a alegria e paz do Paraíso. Daí a Divina comédia de nossas vidas de nossos sofrimentos, sempre vislumbrando a Deus na hora da morte. A obra apresenta-se, também, de forma crítica quando Dante chama a prestar contas em tribunal simbólico, os poderosos.

Segundo E.R. Curtius, "Dante chama ao tribunal papas e imperadores de seu tempo: reis e prelados, estadistas, déspotas, generais; homens e mulheres da nobreza e da burguesia das corporações e das escolas".

A provação, o moralismo de Dante - colocando-se como alguém "perdido em uma selva escura" aos 35 anos - e do leitor representando a humanidade, numa metalinguagem edificante.

Todo aquele que pecar deve procurar a redenção de seus pecados, esse é o objetivo escondido nas palavras. Não basta dizer que se arrependeu é preciso ter fé e ser racional, na sociedade do dogma.
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Continua na parte 03/03

Vicente Almeida
25/11/2013

ANO NOVO A VISTA, hora de avaliações - Por Vicente Almeida

Faltam 36 dias para o ano novo.

Hora de avaliações, não por que sejamos obrigados a tal atitude, mas por que de tempos em tempos é muito bom verificarmos o caminho que estamos percorrendo e observar se no decorrer do ano, os atalhos foram corretos e trouxeram as soluções desejadas ou causaram danos.

Muita gente, mesmo sem fazer essa verificação gosta de fazer projetos para o novo ano, sem contudo haver cumprido as metas traçadas no ano anterior. Talvez essas metas fossem de mentirinha, apenas para jogar conversa fora ou encantar os amigos, tanto é assim que no primeiro dia do ano seguinte, já nem lembram mais.

Um projeto digno é sempre uma ideia sublime que, se levada a sério poderá produzir frutos maravilhosos. As vezes as pessoas até tentam dar vida as suas ideias, mas na primeira dificuldade encostam pra lá e esquecem. Claro, pessoas assim estão sempre começando algo e como nunca terminam, nunca são ninguém e vivem sempre a mendigar favorecimento alheio.

Ao idealizar seu projeto, faça-o com a mente e o coração e tenha a certeza de que é o você quer. Para torná-lo realidade a partir do ano novo, acredite e trabalhe nele, não desista nunca. Mesmo diante de alguma barreira saiba que você vai transpô-la se persistir. Nossas vitórias são o resultado de muita transpiração e persistência.

O inventor da lampada tinha uma ideia fixa e nunca desistiu tendo efetuado cerca de dois mil testes até encontrar o filamento correto. Quem era ele?  

É hora de pensar com objetividade e ser humilde para reconhecer as falhas, ninguém é perfeito mas poderemos chegar lá.

Muita gente pensa que quando questiona, precisa fazer valer seu ponto de vista, isto se chama arrogância. Não estamos sozinhos! Precisamos sempre ouvir mais alguém, isto ao invés de nos enfraquecer, nos fortalece, por que as grandes realizações, só são possíveis quando damos importância a pequenos detalhes que nem sempre percebemos.


Escrito por Vicente Almeida
25/11/2013

domingo, 24 de novembro de 2013

DEUS NUNCA ERRA - Por Vicente Almeida

muito tempo, num reino distante, havia um rei que não acreditava nos desígnios e na bondade de DEUS. Tinha, porém, um súdito que sempre lhe lembrava dessa verdade.

-Meu rei, não desanime. Tudo que DEUS faz é perfeito. ELE nunca erra.

Um dia, o rei saiu para caçar, juntamente com seu súdito, e uma fera da floresta o atacou.

O súdito conseguiu matar o animal, porém, não evitou que sua majestade perdesse o dedo mínimo da mão direita.

O rei, furioso pelo que havia acontecido, e sem mostrar agradecimento por ter sua vida salva pelos esforços de seu servo, perguntou a este:

- E agora, o que você me diz? DEUS é bom? Se DEUS fosse bom eu não teria sido atacado e não teria perdido o meu dedo.

- Meu rei, apesar de todas essas coisas, somente posso dizer-lhe que DEUS é bom, e que mesmo isso, perder um dedo, é para o seu bem. Tudo que DEUS faz é perfeito. ELE nunca erra.

O rei, indignado com a resposta do súdito, mandou que o mesmo fosse preso na cela mais escura e mau cheirosa do calabouço.

Após algum tempo, o rei saiu novamente para caçar e na selva aconteceu dele ser novamente atacado, desta vez por uma tribo de índios.

Esses índios eram temidos por todos, pois se sabia que faziam sacrifícios humanos, para seus deuses.

Mal prenderam o rei, passaram a executar o ritual do sacrifício.

Quando tudo estava pronto, e o rei diante do altar, o sacerdote da tribo, ao examinar a vítima, observou furioso:

- Este homem não pode ser sacrificado, é defeituoso! Falta-lhe um dedo! E o rei foi libertado.

Ao voltar para o palácio, muito alegre e aliviado, mandou libertar seu súdito e pediu que o mesmo viesse em sua presença. Ao ver o servo, abraçou-o afetuosamente dizendo-lhe:

- Meu caro súdito, DEUS foi realmente bom comigo. Você já deve estar sabendo que escapei da morte justamente porque não tinha um dos dedos...

... Mas ainda tenho em meu coração uma grande dúvida: Se DEUS é tão bom, porque permitiu que você fosse preso da maneira como foi? Logo você, que tanto O defendeu?

- Meu rei, se eu estivesse junto convosco nessa caçada, certamente seria sacrificado em seu lugar, pois não me falta dedo algum.

Portanto lembre-se sempre: tudo que DEUS faz é perfeito. Ele nunca erra.

Autor desconhecido
24/11/2013

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A DIVINA COMÉDIA - Introdução Parte 01/03 - Por Vicente Almeida

Dante Alighieri
POEMA "DIVINA COMÉDIA"

Introdução - Parte  01/03

Autor: Dante Alighieri

A partir de hoje iniciaremos a postagem deste Poema de domínio público, escrito entre 1307 e 1321 - Há 700 anos.

Difícil identificar se é Alegórico ou profético ou ambos os casos. Não poderemos identificar o gosto do leitor, mas, se perseverar, poderá ser de grande valia pela oportunidade de viajar pelo imaginário de um grande poeta. O leitor terá imensas surpresas mas, não poderemos identificar como atuará suas emoções com o aprofundamento e acompanhamento da obra.

SOBRE O AUTOR: RESUMO BIOGRÁFICO

Dante Alighieri nasceu em Florença em maio de 1265, de dona Bella e de Aldighiero Alighieri. De família nobre e abastada, dedicou-se desde cedo aos estudos, e o célebre Brunetto Latini foi um dos seus mestres.

Estudou letras e ciências, não se descuidando do desenho e da música. Mais tarde aplicou-se também à teologia. Ainda moço, Dante participou da vida política da sua cidade.

Em 1289, os exilados florentinos, juntando-se aos outros gibelinos de Toscana, tentaram invadir a República.

O exército florentino deu-lhes batalha em campaldino no dia 11 de junho de 1289, conseguindo derrotá-los. Dante participou destas operações militares, combatendo na cavalaria. Pouco depois, participou também do assédio ao castelo de Caprona.

Para conseguir cargos da República, era necessário pertencer a uma corporação, Dante se inscreveu na dos médicos e farmacêuticos, que era a sexta entre as assim chamadas Artes Maiores.

Sua atuação na vida pública foi brilhante. Conforme diz Boccaccio; em Florença não se tomava nenhuma deliberação sem que ele desse a sua opinião. Várias vezes foi embaixador da República, várias vezes pertenceu ao Conselho do Estado, e, finalmente, em 1300, obteve o cargo de “priore”, que era a suprema magistratura política de Florença.

Conforme ele mesmo diz, numa de suas cartas, as suas desgraças se originaram da sua eleição ao priorado. A cidade de Florença era dividida em dois partidos: os Brancos e os Pretos, que determinavam freqüentes conflitos, disso resultando que os priores, inclusive Dante, resolvessem exilar alguns entre os cabeças, pertencentes às mais ilustres famílias de Florença.

Os Pretos, porém, encontraram uma ocasião propícia para obter o mando na cidade e oprimir os seus inimigos.

Aproveitando-se da passagem por Florença de Carlos de Valois, irmão do rei da França, em viagem para Roma, conseguiram convencê-lo e convencer ao Papa Bonifácio VIII, de que os Brancos eram inimigos da Casa de França e da Cúria Romana. Os notáveis da cidade enviaram embaixadores ao Papa, e entre eles, Dante, para dissuadí-lo do intuito de entregar a cidade à parte mais facciosa.

Bonifácio VIII, porém, tergiversando, manteve os embaixadores florentinos na expectativa, enquanto Carlos de Valois empossava os Pretos no mando de Florença, resultando daí um período de violências e saqueios.

Os inimigos de Dante, acusando-o de ser gibelino, e, ainda, de ter-se aproveitado do dinheiro público, o condenaram ao exílio, e a pagar uma pesada multa, além de as suas possessões haverem sido depredadas.

Começou, então, para Dante, a vida dura do exilado e do perseguido. Mudando freqüentemente de cidade, servindo a vários senhores.

Viveu Dante os últimos anos de sua vida em Ravena onde veio a falecer em 14 de setembro de 1321 com 56 anos.
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Convidamos o leitor para continuar a leitura, na PARTE 02/03, em breve.

20/11/2013