OBRIGADO PELA VISITA

O LABORATÓRIO SIDERAL leva até você, somente POSTAGENS de cunho cultural e educativo, que trata do universo; das gentes; das lendas; das religiões e seus mitos, e de forma especial, dos grandes mistérios que envolvem nosso passado. Contém também muitos textos para sua meditação. Tarefa difícil, mas atraente. Neste Blog não há bloqueio para comentários sobre qualquer postagem.

A FOTO ACIMA É A VISÃO QUE TEMOS DA CHAPADA DO ARARIPE, A PARTIR DA NOSSA "VILA ENCANTADA".

domingo, 9 de fevereiro de 2014

BORA FALAR? - Por Vicente Almeida

COISAS DA RELIGIÃO

Que opinião você formaria sobre este vídeo?

Você acha que este conteúdo é verdadeiro ou mentiroso? Ajuda a repensar seus conceitos religiosos ou não muda nadica de nada?
O autor poderá retirar este vídeo da internet. Se isto acontecer, esta postagem será excluída.
Vicente Almeida
09/02/2014

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A DIVINA COMEDIA - PAUSA PARA MEDITAÇÃO - Por Vicente Almeida

Suspenderemos a publicação da "Divina Comédia", poema de Dante Alighieri, por trinta dias para o leitor, se assim o desejar, meditar na trama imaginada pelo autor.

Dante em seu poema, de posse do conhecimento da cultura do inferno segundo o cristianismo, imaginou e estabeleceu um inferno e um círculo de sofrimentos eternos conforme a magnitude de cada crime, para cada alma que em vida praticou atos criminosos ou desabonadores contra si ou seu semelhante. 

Muitas dessas almas, quando em vida foram seus desafetos, outros eram tão maus que seus atos criminosos se tornaram conhecidos por todos. Os papas não escaparam da sua investida. Para completar a obra, Dante incluiu também figuras mitológicas e imaginou círculos com sofrimentos cada vez mais aterrorizantes e os localizou em áreas cada vez mais profundas em direção ao centro da terra, onde residia, segundo ele, o chefe dos poderes infernais o qual passava o tempo todo devorando almas. Mas isso ficará para as próximas postagens a partir de março.

Claro que o inferno definido por Dante, como um lugar de eterno suplício, não existe por que o sofrimento não é eterno. Um dia esse sofrimento cessará, entretanto, o inferno e o céu continuarão a existir dentro de cada um de nós, tornando-se cada vez mais presente, conforme nossos atos se revelam prejudiciais ou benéficos contra nós ou nosso próximo.

Não se iluda, todo e quaisquer atos tem consequências. Poderemos ser bem ou mal sucedidos no decorrer da nossa existência, a paz ou sofrimento prolonga-se além-túmulo, tudo conforme a lei eterna e imutável de AÇÃO E REAÇÃO.

Muitos, ainda em corpo material, vêem sua vida despencar até o fundo do poço, ou se erguer das cinzas até os píncaros da glória conforme a máxima de Cristo: "A cada um será dado segundo suas obras".

De acordo com os evangelistas, Jesus sempre falava "Faça aos outros o que queres que te façam", logo não existe sofrimento sem causa nem benefício sem merecimento.

Não devíamos esquecer que, sendo Deus infinitamente misericordioso, não poderia criar ou permitir a existência de um local de suplício eterno. Deus é infinito em todos os seus atributos. Não pode errar ou se arrepender. Suas leis são eternas e imutáveis.

Quando Deus disse: Façamos o homem a nossa imagem e semelhança não quiz dizer que ele, o homem, teria semelhança com Deus, mas o seu espirito ou alma - aquele ser imaterial que anima o corpo humano, seria eterno como Deus é eterno. Essa é a única semelhança do homem com Deus.

O homem, um ser carnal,jamais poderia ser semelhante a Deus um ser espiritual. O leitor somente poderá compreender essas coisas se meditar sobre elas, despojando-se dos mitos e das ideias preconcebidas.

O leitor poderá questionar: "Mas está na Bíblia!"

- E respondo - Sim, está escrito na Bíblia, mas a Bíblia foi escrita por homens, muitos homens no decorrer dos milênios e de princípio não era uma Bíblia, eram várias histórias da saga de um povo que posteriormente, com o advento do cristianismo, foram compiladas e organizadas em um único livro. Paralelamente aos hebreus, israelitas e judeus outros povos existiram em várias partes do planeta e também narram sua versão da história.

Esses escritores se limitaram a narrar sua trajetória terrena em diferentes épocas, e como acreditavam em um ser sagrado, com muito poder - Deus, às vezes em suas narrativas o apresentavam ora como um milagreiro, ora como um ser cruel e vingativo, ora agindo com parcialidade, tendencioso, prestigiando um povo em prejuízo de outros. Um Deus que mandava seus protegidos invadir terras e matar mulheres e crianças.

Esse era o Deus daquele povo, rude e cheio superstições. Dante também acreditava que Deus abandonava seus filhos pecadores, sua criação, entregando-os de bandeja ao demônio  - um mito, para fazer o que bem quisesse com eles por toda eternidade, POOODE? É aqui que mora o problema: Um mito - O demônio, no cristianismo foi elevado a super star e tem mais poder do que Deus, um ser real.

Felizmente o meu Deus é outro, é magnânimo, é misericordioso, é infinitamente justo e isto me basta para perceber sua presença e adorá-lo, independente de quaisquer credos religiosos.

É possível que Dante acreditasse em tudo que escrevia e descrevia em sua visão imaginária. Mas não é admissível para nós, habitantes do terceiro milênio, senhores de tecnologias avançadas e melhor conhecimento da Divindade, acreditar hoje na aplicação de penas eternas, após uma curta existência de dez, vinte, trinta ou cinquenta anos, durante os quais praticou alguns atos de maldade. 
Escrito por Vicente Almeida
06/02/2014

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A DIVINA COMEDIA - INFERNO - CANTO XIII - Por Vicente Almeida

Canto XIII

Hárpias - Selva dos suicidas

Antes que Nesso tivesse terminado de atravessar o vau do rio de sangue, já estávamos nós em um bosque, não verde, mas de folhagens foscas, sem frutos, sem ramos e com os troncos cobertos de espinhos. Era ali que faziam seus ninhos as vis Hárpias - seres de grandes asas e rostos humanos, garras nos pés e ventres emplumados que lançam das alturas lamentos misteriosos.
Floresta dos suicidas e das harpias - Ilustração de Gustave Doré
- Antes que entres - disse-me o mestre -, saibas que estamos no giro segundo deste sétimo círculo. Fica atento pois aqui verás coisas incríveis que falsas soariam se eu te contasse.

Caminhávamos pelo bosque deserto e eu ouvia vozes de lamento, sem avistar ninguém que pudesse ser a fonte de tais lamúrias. Creio que Virgílio tenha pensado que eu estava achando que as vozes emanavam de pessoas escondidas atrás das árvores, por isso falou:

- Se arrancares um galhinho de uma dessas plantas, mudarás o que agora imaginas.
Eu, seguindo seu conselho, levei a mão à primeira que encontrei, e dela arranquei um pequeno ramo.

- Ai! Por que me quebrantas? - gritou o tronco, chorando. E depois de se cobrir todo de sangue, disse ainda, triste - Por que me atormentas? Não tens espírito de piedade? Homens um dia fomos e hoje só restam paus. Devias ter mais cortesia mesmo que fôssemos almas de serpentes.

Saía da ferida, uma mistura de sangue e palavras, cuspindo e assobiando. Assustado, soltei o galho que eu segurava e permaneci parado, como quem teme.
Floresta dos suicidas - Dante ao quebrar o galho de uma árvore-alma, ela chora de dor - Ilustração de Paul Gustave Doré

- Ó alma ferida - falou Virgílio, dirigindo-se à planta - fui eu que o incitei a fazer o que agora me entristece. Se ele soubesse que sofrerias, ele jamais teria erguido a mão contra ti. Mas dize a ele quem foste, pois ele voltará ao mundo onde poderá resgatar a tua fama.

- Tão amiga soa tua fala que devo responder. Fui ministro de Frederico II e vítima de grande injustiça, calúnias e inverdades. Por causa delas, tirei minha própria vida. Sempre fui atento ao meu senhor e nunca o traí. Se algum de vós regressar ao mundo, por favor restaure a minha memória que foi maculada pela inveja.

Virgílio esperou um pouco, depois me falou:

- Já calou-se o suficiente. Não percas tua vez. Pergunta, se há mais alguma coisa que desejas saber.

- Por que tu não perguntas o que achares que a mim poderá satisfazer? - perguntei - Eu não posso. Não conseguiria falar.

Ele então, voltou para o espírito:

- Ó espírito em desgraça, dize-nos como uma alma se funde com estas plantas e se algum de vós, um dia, escapará desses galhos.

Ao ouvir, a árvore respirou fundo e depois seu sopro se transformou em uma voz que respondeu:

- Quando alguma alma se separa do seu corpo por sua própria vontade, Minós a manda para a sétima foz. De lá, cai nesta selva escura, brota como uma semente e cresce, até tornar-se um espinhoso arbusto.

As Hárpias nutrem-se de nossos galhos e assim nos trazem eterna e intensa dor. Como os outros, um dia retornaremos para reaver nossos corpos, mas nunca mais poderemos vesti-los, pois, injusto seria que tivéssemos algo que rejeitamos. Nós os arrastaremos até aqui onde, nesta triste floresta, nossos corpos serão para sempre pendurados nos galhos de suas almas vis.

Enquanto ouvíamos a árvore falar, um novo ruído desviou a nossa atenção. Eram dois vultos nus, que corriam, sangrando. Arrancavam, na fuga, todos os galhos dos arbustos por onde passavam.

- Me acode, me acode, Morte! - gritava o primeiro.

- Lano, com tuas pernas poderias ter tido mais sorte na batalha de Toppo! - dizia o outro que, não podendo mais correr, caiu sobre um arbusto e se ficou coberto de espinhos.

Atrás dos dois a selva estava repleta de cadelas pretas, ágeis e famintas. Elas chegaram e afundaram suas presas no pobre coitado que se escondia e o dilaceraram, arrancando seus pedaços e fugindo com partes de seus membros arrancados.
Ao fundo vemos as cadelas devorando os suicidas - Ilustração Paulo Gustave Doré
Depois que as cadelas se foram, Virgílio me levou até um arbusto que chorava, em vão, através das suas muitas fraturas que sangravam.

- Ó Giácomo de Santo Andrea - chorava -, que culpa tenho de tua vida perversa?

- Quem foste tu que agora, através das feridas, sopras com sangue este sermão amargo? - perguntou o mestre.

- Ó almas que chegaram a tempo de ver esta injusta mutilação que separou-me dos meus galhos, por favor, junte-os em volta do meu tronco. Eu fui da cidade cujo patrono era o Batista e lá fiz de minha casa, a minha forca.
Vicente Almeida
05/02/2014