OBRIGADO PELA VISITA

O LABORATÓRIO SIDERAL leva até você, somente POSTAGENS de cunho cultural e educativo, que trata do universo; das gentes; das lendas; das religiões e seus mitos, e de forma especial, dos grandes mistérios que envolvem nosso passado. Contém também muitos textos para sua meditação. Tarefa difícil, mas atraente. Neste Blog não há bloqueio para comentários sobre qualquer postagem.

A FOTO ACIMA É A VISÃO QUE TEMOS DA CHAPADA DO ARARIPE, A PARTIR DA NOSSA "VILA ENCANTADA".

quarta-feira, 30 de julho de 2014

FAÇA AOS OUTROS O QUE QUERES QUE TE FAÇAM - Por Vicente Almeida

Antes de Falar... Escute...
Antes de Escrever... Pense...
Antes de Gastar... Ganhe...
Antes de Julgar... Espere... Melhor mesmo é não julgar...
Antes de Orar... Peça Perdão... e também Perdoe...
Antes de Desistir... Tente...

Certa vez, um homem tanto falou que seu vizinho era ladrão, que o vizinho acabou sendo preso.

Algum tempo depois, descobriram que o rapaz era inocente, ele foi solto, e, após muita humilhação resolveu processar seu vizinho (o caluniador).

No tribunal, o caluniador disse simplesmente ao juiz:

- Sr. Juiz, comentários não causam tanto mal...

E o Juiz, homem experiente, respondeu:

- Então escreva os comentários que você fez sobre ele num papel, depois pique o papel e jogue os pedaços pelo caminho de casa e amanhã volte para ouvir a sentença...!

O homem obedeceu e voltou ao Tribunal no dia seguinte e o Juiz assim falou:

- Antes da sentença, você deverá catar todos os pedaços de papel que espalhou ontem...!

- Não posso fazer isso meritíssimo...! respondeu o homem.

- O vento deve tê-los espalhados por tudo quanto é lugar e já não sei onde estão...!

Ao que o juiz respondeu:

- Da mesma maneira, um simples comentário pode destruir a honra de um homem, pois espalha-se a ponto de não podermos consertar o mal causado...

E continuou:

- Se não se pode falar bem de uma pessoa, é melhor que não se diga NADA...!

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Sejamos senhores de nossa língua,  para não sermos escravos de nossas palavras!...

...No mundo sempre existirão pessoas que vão te amar pelo que você é...

...Outros vão te odiar pelo mesmo motivo.

ACOSTUME-SE !...

Quem ama não vê defeitos...

...Quem odeia, não vê qualidades...

E quem é amigo... Vê as duas coisas!...
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Créditos do texto para o autor (desconhecido)
Vicente Almeida
30/07/2014

quarta-feira, 16 de julho de 2014

O BAR DE JESUS - Por Luiz Lisboa

Recebi de um amigo, poeta e compadre, as duas quadrinhas a seguir. É mais um contraste de Várzea alegre.

Após lê-las, não me contive e tomei a liberdade de responder aqui mesmo nesta postagem.

BAR DO BUZUGA - Por Luiz Lisboa
Senhor padre por favor
Perdoe o meu pecado
Se eu ando embriagado
É porque carrego dor
Sei que isso não traz valor
E esse papo nada produz
Mas ainda vejo uma luz
Uma parcela pra minha soma
É que só no Sanharol você toma
Num bar que é de Jesus.

Isto não tem fundamento
Fazer apologia à cachaça
É sempre a maior desgraça
Acaba com casamento
Causa o maior sofrimento
O homem ao pó reduz
Mas uma coisa seduz
Quem tem boca vai à Roma
É que só no Sanharol você toma
Num bar que é de Jesus.

Em réplica e para desagravo respondi:

Lisboa tenha cuidado
Com esse seu trocadilho
Que sua luz não perca o brilho
Mas recomendo pacato
Deixe de ser tão ingrato
Nenhum bar teve o Jesus
Que por nós morreu na cruz
O Jesus do Sanharol
Não é um Jesus de escol
Como é nosso Jesus.

Se Jesus do sanharol
Embebedava com cana
Em vez de vender banana
Diferente era o farol
Do Jesus que mais que o sol
Iluminava o povão
Pois do futuro a visão
Com a palavra doutrinava
E a toda gente mostrava
Caminhos pra salvação.


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Para quem não sabe ainda: "Sanharol" é um bairro da cidade de Várzea Alegre, localizada no Sul do Ceará, conhecida como a "Terra dos Contrastes" e originou uma magnífica composição (letra e música) do poeta varzealegrense José Clementino interpretada por Luiz Gonzaga. Lá nasceu o Luiz Lisboa.
video


Em nossa visita a São Paulo recebemos o Lisboa e família no apartamento da nossa filha

Vicente Almeida
16/07/2014

terça-feira, 15 de julho de 2014

A DIVINA COMÉDIA - INFERNO - CANTO XXXIV - Por Vicente Almeida

Judeca - Lúcifer - O Centro da Terra.

- Estamos diante das bandeiras do rei do Inferno - disse-me Virgílio, - Olha pra frente e vê se consegues discerni-lo.
Dante e Virgílio, como miniaturas no alto do penhasco observando a descomunal figura de Lúcifer, respeitadas as proporções é o mesmo que comparar um beja-flor com uma águia - Ilustração de Paul Gustave Doré.
 Comecei a ver, na distância, o que parecia ser um grande moinho, que provocava aquelas rajadas de vento gelado. Estávamos chegando ao lugar onde eram punidos aqueles que traíram os seus benfeitores.

Neste lugar sombrio e gelado, as almas estavam completamente submersas no gelo, transparecendo como palha em cristal. Algumas estavam de pé, outras de ponta-cabeça, outras atravessadas, outras em arco, outras curvadas e outras invertidas.

Quando já tínhamos caminhado o suficiente, o mestre decidiu me mostrar aquele que um dia teve tão belo semblante:

- Esse é Dite - disse ele - e este é o lugar que exige toda a coragem que tens em ti.
Não me perguntes, leitor, como eu fiquei fraco e gelado, pois não há palavras que possam descrever aquela sensação. Eu não morri, nem estava vivo. Tente imaginar, se puderes, como sem uma coisa nem outra eu fiquei. Vi aquele gigante submerso no gelo, despontando seu corpo do peito para cima. Só o seu braço tinha o tamanho de um daqueles gigantes que encontramos na entrada do lago.

Fiquei mais assombrado ainda quando vi que três caras ele tinha na sua cabeça. Toda vermelha era a da frente. A da direita era amarela e a da esquerda negra. Acompanhava cada uma, um par de asas como as de morcego (eu nunca vi um navio com velas tão grandes). E ele as abanava, produzindo três ventos delas resultantes. Era esse vento que congelava as águas do Cócito. Ele chorava por seis olhos e dos três queixos caía uma sangrenta baba que pingava junto com as lágrimas. Em cada boca ele moía um pecador. O da frente ele mordia mais rapidamente que os outros. Cada ceifada lhe arrancava a pele inteira.
Lúcifer comendo almas pecadoras
- Esse da frente é Judas Iscariote - disse-me o mestre - que sofre pena dobrada, com a cabeça para dentro e as pernas para fora. O que é mordido pela boca preta é Bruto e o outro é Cássio. Mas em breve será noite. Está na hora de partirmos, pois já vimos tudo o que há para se ver. Agora, agarre-se em mim firmemente.

Obedeci-o e ele me carregou, se dirigindo para as costas de Lúcifer. Aguardou um pouco e quando as asas estavam altas, saltou da beira de um fosso para a escuridão, mas logo agarrou-se às costas peludas do Demônio. Descemos mais ainda. Estávamos entre as costas de Lúcifer e às crostas congeladas do Cócito. Quando chegamos à altura da junção da coxa ao tronco do gigante infernal, meu guia, já mostrando sinais de fadiga, inverteu o corpo e, sem soltar os pelos do monstro, seguiu, como se subisse, me fazendo pensar que voltávamos para o inferno.

- Segura firme - disse ele - pois não há outro caminho. Só por estas escadas poderemos escapar de tanto mal.

E saímos por uma brecha na rocha. Virgílio, visivelmente exausto por ter me carregado, me colocou numa beira para que eu me sentasse. Olhei para cima procurando por Lúcifer mas não o achei. Encontrei-o lá embaixo de pernas para o ar. Virgílio me confundiu ainda mais, falando:

- Levanta-te pois o caminho é longo. O dia já amanhece!

- Como amanhece? - perguntei-lhe - O tempo passou tão depressa assim? Como já pode ser dia se agora há pouco começava a noite? E me esclareças mais: onde está a geleira? E por que Lúcifer está de cabeça para baixo?

- Tu pensas que ainda estamos do outro lado. - disse-me o guia - Nós passamos pelo centro da terra, que puxa todo peso. Estamos agora embaixo do céu oposto, no hemisfério de água. Sob teus pés está uma pequena esfera, cujo lado oposto é ocupada pela Judeca. Se do outro lado anoitece, aqui o dia nasce.
Dante e Virgílio ao sair do outro lado da terra contempla os primeiros sinais celestes - Ilustração de Paul Gustave Doré.
Este buraco por onde passamos foi formado quando Dite caiu do céu, e ele até hoje aí permanece. Depois da queda, por medo dele, a terra que formava os continentes deste lado fugiu para o nosso céu deixando encoberto pelo mar todo este hemisfério. A terra que estava aqui amontoou-se na superfície onde formou uma montanha, deixando este caminho vazio. Aí embaixo há um lugar, tão distante de Belzebú quanto o limite de sua tumba, conhecido pelo som (e não pela vista) de um pequeno riacho que para cá descende, pelo sulco que por ele foi aberto.
Dante e Virgílio contemplando a abóboda celeste e felizes por haverem passado incólumes pelo inferno. A visão deles é a mesma de todos nós que os acompanhamos nesta viagem fantástica pelo imaginário do autor.
Passamos então o resto do dia seguindo por aquele caminho escondido debaixo do chão, sem descanso algum. Depois da longa caminhada subimos, ele primeiro e eu atrás, passando por uma pequena abertura na pedra, para enfim, rever as estrelas. O céu resplandecia em beleza.

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PRONTO LEITOR, MISSÃO CUMPRIDA:

Saímos dos círculos infernais, FIM DA VIAGEM pelo Inferno, através da "Divina Comédia", do florentino Dante Alighieri.

E aqui termina o nosso trabalho. Aprendemos muito durante esta fictícia jornada.

O horror e o sofrimento, são realidades não descartáveis e às vezes bem pior do que aqui descrito, mas, nunca são eternos.

Na verdade, a nossa intenção era mostrar o que o nosso ser imortal poderá sofrer após a morte do corpo, como contrapasso (reflexo ou consequência) a cada ato danoso que venhamos a praticar em vida contra nosso semelhante.

A consequência pelos atos que praticamos é uma coisa que todos sabemos mas nem ligamos e cada vez aprofundamos mais o abismo que se abre sob nossos pés e inexoravelmente virá o dia em que deveremos iniciar o resgate das nossas faltas.

Ninguém, absolutamente ninguém poderá fugir do tribunal da própria consciência.

Da nossa parte, ficamos conhecendo muitos personagens da antiguidade, graças as pesquisas que empreendemos para entender o poema e postar as informações com segurança.

Passamos mais de seis meses publicando a cada cinco dias um Canto da primeira parte (INFERNO) do maior clássico da literatura universal.

Obrigado aos leitores que de alguma forma tenham se sentido estimulados a se integrar nesta fantástica viagem. Tenho certeza que muito aprenderam, se assim o desejaram.

As postagens se tornaram possíveis, graças ao grandioso e incansável tradutor e pesquisador Helder da Rocha que o transformou em prosa. Não fosse ele, A Divina Comédia continuaria sendo para nós, apenas um poema clássico, cansativo e incompreensível, exceto para aqueles (e não são poucos) que se propõem a aprofundar seus estudos no tema.

É difícil explicar Dante Alighieri, mas, milhares de estudiosos se dedicam a essa incansável tarefa.

As imagens: Pinturas e gravuras, tornaram possível uma melhor compreensão do texto, e não está longe da verdade o texto que diz: "Uma imagem vale mais do que mil palavras".

Quando o leitor tiver oportunidade, não deixe de ler algo que valha a pena. Seu despertar para uma leitura praseirosa é estimulante e educativa.




Quanto a continuação deste poema, - O Purgatório e o Paraíso, narram a trajetória da alma até finalmente chegar aos campos de delícias, como recompensa pelos atos de bondade que tenha praticado em vida.
Vicente Almeida
15/07/2014

quinta-feira, 10 de julho de 2014

A DIVINA COMÉDIA - INFERNO - CANTO XXXIII - Por Vicente Almeida

Espírito do Conde Ugolino e Espírito do Frei Alberigo.

O pecador virou-se, afastou a boca daquela terrível refeição, limpou seus lábios nos cabelos do crânio que devorava, e falou:

- Queres que eu me recorde de um terrível pesadelo. Mas, se o que eu disser puder trazer uma infâmia maior a este traidor de quem arranco as peles, tu ouvirás o meu relato e o meu pranto.
Alma do Conde Ugolino no Lago Cócito - Ilustração de Paul Gustave Doré
- E prosseguiu - Eu não sei o teu nome, nem de onde és, mas pareces florentino. Tu deves saber que eu fui o conde Ugolino, e que este outro é o arcebispo Ruggieri. Por causa de sua perversa astúcia, por confiar neste desgraçado eu fui traído, detido e morto, como vês.
Conde Ugolino encarcerado com os filhos para morrerem de fome e sede -  Ilustração de Paul Gustave Doré
Mas antes saibas da forma cruel como fui morto para que possas julgar-me. Se o pensamento do que agora vou dizer não te tocar o coração, como tu és cruel! E, se não chorares, será que alguma vez choras? Eu fui preso com meus quatro filhos em uma cela para morrer de fome.

Todos os dias meus filhos choramingavam e me pediam pão, e o pão nunca chegava. Eu ouvi o portão da torre lá embaixo ser lacrado com pregos e então olhei para as faces dos meus, e não lhes disse nada. Eu não chorei. Me transformei em pedra por dentro.

Eles choravam e meu pequeno Anselminho falou "O que tens, meu pai, o que é que há?" Não respondi e nem uma só lágrima caiu durante todo o dia, nem durante toda a noite seguinte. 

Quando um raio de sol clareou aquele cárcere doloroso por um instante, me vi refletido nos quatro rostos, e mordi minhas mãos de desespero.
Conde Ugolino na prisão observando os filhos morrendo de inanição - Ilustração de Paul Gustave Doré
E eles, pensando que eu mordia minhas mãos de fome, me disseram: "Pai, nós sofreremos menos se comeres de nós. Tu nos vestisse com estas míseras carnes e tu podes tomá-las de volta!"

Fiquei quieto para não me tornar mais triste. 

Durante esse dia, e o outro, ninguém falou nada. No quarto dia, Gaddo lamentou aos meus pés "Pai meu, por que não me ajudas?" e depois morreu...

...Depois eu os vi morrendo um a um, do quinto ao sexto dia, os outros três. Por mais dois dias, já cego, chorei sobre seus corpos mortos, até que no oitavo dia a morte me levou.

Quando terminou de falar, virou seu rosto para a sua vítima e voltou a atacar aquele crânio com os dentes, como um cão que não solta o seu osso.

Ai Pisa, que vergonha és para a nossa Itália! Se o conde Ugolino era culpado de ter traído um dos castelos teus, nada justificava que seus filhos fossem torturados.

Seguimos adiante até o lugar onde o gelo maltrata de forma mais dura os pecadores. Com os rostos virados para cima, nem nos olhos a sua angustia encontra alívio, pois lá se forma uma barreira de gelo no primeiro choro, quando as lágrimas congelam e preenchem toda a cava do olho.

Embora o frio tivesse afastado toda a sensação do meu rosto, comecei a sentir uma leve brisa e perguntei ao mestre:

- Mestre, que vento é este? Pensei que vento algum poderia chegar a estas profundidades.

- Logo saberás - respondeu Virgílio - pois teus próprios olhos te darão a resposta.

Enquanto conversávamos, um dos desgraçados submersos no gelo nos ouviu e gritou:

- Ó réus tão cruéis que para vós foi imposta a pior das penas, tirai este gelo de meus olhos, e me livrai da dor que impregna meu coração, até que novas lágrimas selem meus olhos outra vez.

- Eu prometo te ajudar, mas diga primeiro quem és. - falei. - Se eu não cumprir o que prometi, que possa eu então chegar ao fundo desta geleira.

- Sou frei Alberigo. - disse o espírito. - aquele das frutas do mau horto, e aqui recebo tâmara por figo.

- Oh! - exclamei. - Então tu já estás morto?

- Pode até ser que meu corpo ainda esteja lá em cima, - respondeu - mas nenhuma ligação tenho mais com ele. Quando uma alma comete traição tão estúpida quanto a minha, o seu corpo lá na Terra é imediatamente possuído por um demônio que o governa até que chegue o seu dia. A alma que antes habitava o corpo cai aqui na Ptoloméia. Mas tu que chegas agora deves também conhecer esse aí do lado. Ele é Sr. Branca d'Oria e está aqui neste gelo há muito mais tempo do que eu.

- Creio que me enganas - disse eu -, pois que eu saiba, Branca d'Oria ainda vive. Ele come e bebe, dorme e veste roupas!

- É ele sim! - insistiu o frei Alberigo - Antes de Michel Zanche, sua vítima, chegar ao fosso guardado pelos Malebranche, ele já congelava neste lago. O seu corpo foi, na ocasião, recebido por um diabo, que provavelmente ainda o possui. Mas já falei o suficiente. Estende logo tua mão e livra-me os olhos!

Ele pediu, mas eu não obedeci. E foi cortesia minha ser-lhe vilão.

Ah genoveses! Vós que sois avessos a toda lei e adeptos da corrupção; por que o mundo não se livra de uma vez de vossa gente? Pois, fazendo companhia ao pior espírito da Romanha, vi um dos vossos, cujas obras eram tais que sua alma já congela no Cócito, mas seu corpo parece vivo e ainda caminha entre vós.
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No Canto XXXIV (última postagem da nossa visita simbólica ao inferno) chegaremos ao centro da terra e veremos Judeca - Lúcifer - Bruto - Cássio - Judas.
Vicente Almeida
10/07/2014

quarta-feira, 9 de julho de 2014

TERREMOTO GIGANTESCO ABALA O BRASIL - Por Vicente Almeida

Este dia se tornará inesquecível na memória do povo, pela proporção da catástrofe que abalou o Brasil de ponta a ponta.

O fato aconteceu ontem dia 8, a partir das 17:00 hs e durou pouco mais de noventa minutos. foram sete violentos abalos atingindo todos os quadrantes do país, cinco somente nos primeiros vinte e cinco minutos. Parte da população quase enlouquece sem compreender o que estava ocorrendo. Via, sentia mas não entendia, também não queria acreditar, achava que tudo aquilo era um engano, não podia estar acontecendo, logo com o Brasil!

E daí? Somos igualmente filhos de Deus em jornada de aprendizado na passagem terrena, por que não provar um pouco do cadinho da amargura como tantos outros? 

Na guerra quando corações são despedaçados não há como reorganizá-los, aqui corações foram despedaçados mas com 100% de chances de recuperação. 

Feridos materialmente nenhum. Feridos moralmente, mais de duzentos milhões.

Eu poderia choramingar, lamentar, afinal sou brasileiro, mas não posso lutar pelo que passou, passado é passado, bola para a frente.

Como já falei certa vez em outra postagem: "Nada construímos no passado nem no futuro. Toda construção se realiza no presente, aqui e agora". Então, Morto o Rei, viva o Rei. Voltemos ao trabalho sem procurar um bode expiatório como nosso predileto saco de pancadas. Qualquer um pode ser endeusado em um momento e endemoniado no outro. É apenas uma questão de como vemos e digerimos a situação.

Perdemos a copa em casa pela segunda vez, e dai? Um dia se perde outro dia se ganha. Ninguém perde sempre nem ganha sempre, a felicidade é feita apenas de momentos, além do mais "É nas derrotas que se aprende a vencer" (esta frase não é minha).

E chega de lenga lenga e lero lero. Voltemos ao trabalho para pagar os bilhões desviados da educação e da saúde. Afinal nós é que vamos pagar a conta mesmo!

Mas no Brasil tudo sempre acaba em pizza e o brasileiro rapidamente dá a volta por cima... E já começou a gozação.

Este vídeo, provavelmente já estava quase pronto e para completar sua edição, aguardava apenas o resultado do jogo e uma possível derrota do Brasil, não tão desastrosa é claro, fazer o que né?
video
Que tal dublado? - Veja!
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Não falei! brasileiro faz gozação de tudo até da própria desgraça. Já traduziram o texto!
Escrito por Vicente Almeida
09/07/2014

domingo, 6 de julho de 2014

CARTA ENIGMÁTICA 9 - Por Vicente Almeida

Sua meta é decifrar esta Carta Enigmática e descobrir o autor da frase cifrada.

Ele criou o Movimento de Cultura Popular, um programa revolucionário de cultura e educação.
Nasceu em Araripe, no Ceará, em 15 de dezembro de 1916. Em 1933 passou a viver em Pernambuco onde se formou em direito, logo se tornando um dos mais importantes políticos de esquerda do País.

Ao passar no concurso para o Instituto do Açúcar e do Álcool. Tornou-se fervoroso defensor dos trabalhadores de palha de cana do interior. É quando o governador Barbosa Lima Sobrinho o convida para ser secretário da Fazenda de Pernambuco.

Com o apoio da população pobre, torna-se prefeito da capital em 1960. No cargo, cria o Movimento de Cultura Popular, um programa revolucionário de cultura e educação. Dois anos depois, elege-se governador e segue com os projetos de cunho social. As ações são interrompidas pelo golpe militar de 1964. Os generais exigem sua renúncia. Ele não renuncia e é obrigado a exilar-se na Argélia.

Voltaria ao País somente em 1979, beneficiado pela lei da anistia. Emoção nas ruas, onde é carregado por uma multidão, que o chama de guerreiro do povo brasileiro. O carinho se refletiria nas urnas. Elege-se deputado federal e, logo depois, governador.

Em 1994, é novamente eleito governador e, em 2002, deputado federal, cargo que ocuparia até a morte, em 2005. Centenas de caravanas seguiram-no para o último adeus. Pobres agricultores acenavam seus chapéus de palha.

Um trabalhador rural resumiu: “O governador não foi enterrado. Ele foi plantado no chão do Brasil e no coração da gente”.

TEMA: POLÍTICA.



Vicente Almeida
05/07/2014

sábado, 5 de julho de 2014

A DIVINA COMÉDIA - INFERNO - CANTO XXXII - Por Vicente Almeida

Lago Cócito - Caína - Antenora - Espírito de Bocca

Mapa do Nono Círculo (Cócito) Ilustração de Helder da Rocha
Chegamos ao fundo do Universo depois de descer um pouco mais, abaixo do ponto onde o gigante havia nos deixado. Eu ainda olhava admirado para o altíssimo muro, quando ouvi meu mestre falar:

- Olha para baixo e toma cuidado para não pisar nas cabeças dos pobres sofredores.

E então eu olhei em volta e vi sob os meus pés um lago gelado. O chão era tão duro e liso que parecia vidro. As almas estavam submersas no gelo com apenas o tronco e a cabeça de fora. Todos mantinham seus rostos voltados para baixo e batiam os queixos de frio.

Depois de muito olhar para aquela multidão, vi aos meus pés, duas almas tão juntas que até seus cabelos tinham se entrelaçado.

- Dizei-me vós que assim juntam os peitos - pedi - Dizei-me quem sois?

Quando me ouviram os dois olharam para mim e começaram a chorar. Suas lágrimas logo congelaram, unindo mais firmemente um ao outro. Irritaram-se por causa disso e, tomados pela raiva, se agitaram e ficaram violentamente a bater cabeças.

Antes que eu voltasse a interrogá-los, um outro espírito que perdera as duas orelhas congeladas pelo frio falou:

- Por que tanto nos olhas? Esses aí são dois irmãos, filhos de Alberto, donos do vale onde flui o rio Bisenzo. Se procurares em toda a Caína não encontrarás almas mais merecedoras deste tormento que esses dois, nem aquele que teve seu peito e sombra perfurados por um só golpe da lança de Artur, nem Focaccia e nem este, cuja cabeça me encobre a visão. Ele é Sassol Mascheroni e se és toscano, deves saber quem ele foi. Eu fui Camicione dei Pazzi e espero aqui pela chegada de Carlino, meu parente, cuja pena fará a minha parecer bem menos grave.
Almas traidoras submersas no Lago Cócito - Ilustração de Paul Gustave Doré
Adiante vi mil faces, roxas de frio, que ainda hoje me fazem tremer ao lembrar. Continuamos, seguindo adiante na direção do centro. No caminho, não sei se por destino ou fortuna, ao passar distraído pelas cabeças, acabei atingindo uma delas fortemente no rosto com o meu pé.

- Por que me atropelas? - gritou a alma em pranto. - Se não vens para acrescer à vingança de Montaperti, porque me molestas?

Voltei-me ao mestre e solicitei que parássemos pois eu suspeitava que conhecia aquela alma desgraçada, que ainda gritava e nos insultava. Virgílio parou e eu fui até ela.

- Quem és tu que assim insultas os outros? - perguntei.

- E tu? Quem és tu que vais pela Antenora chutando os outros na cara como se fosses vivo? - perguntou-me a alma.

- Vivo eu sou! - respondi -, e poderei servi-lo na busca de tua fama, se eu puder acrescentar teu nome às minhas notas.

- Essa é a última coisa que eu desejaria! - respondeu - Vai-te embora daqui, vai! Não é assim que se consegue as coisas nesta lama.
Dante Suspendendo o traidor Bocca pela orelha - Ilustração de Paul Gustave Doré
Com isto eu agarrei o desgraçado pelos cabelos e disse:

- É bom que digas logo o teu nome, ou não te sobrará um fio de cabelo sequer!

- Não! - o espírito respondeu - Eu não digo de jeito nenhum! Tu podes arrancar todos os meus cabelos, podes me pelar mil vezes se quiseres mas nunca, nunca ouvirás de mim o meu nome.

Eu já tinha arrancado um feixe dos seus cabelos quando um outro gritou:

- O que é que tu tens Bocca? Já não basta agüentar o ruído do teu queixo que bate sem parar? Por que não te calas?

- Ora, ora - disse eu - não é preciso mais que fales, maldito traidor. Bem que eu desconfiei. Não te preocupes que eu levarei ao mundo a verdade sobre ti.

- Vai embora - respondeu - e conta o que quiseres! Mas se saíres daqui, não deixes de falar também desse traidor aí que me delatou. Ele é Buoso de Duera que aqui paga pela prata dos franceses. Se te perguntarem quem mais havia neste poço, este que vês aí do teu lado é o Beccheria. E, se procurares um pouco, aqui também encontrarás Gianni de' Soldanieri junto com Ganellone e Tebaldello.

Pouco depois que deixamos Bocca vi dois espíritos congelados juntos num mesmo fosso. Um deles mordia a nuca do outro ferozmente como se estivesse faminto.
- Ó tu que mostras com cada mordida o ódio que sentes por essa cabeça que devoras, dize-me - pedi -, dize-me a razão pela qual ages assim. Se a tua razão for justa, sabendo quem sois vós e o pecado desse outro, prometo que no mundo acima retribuirei tua confiança, ou que minha língua fique seca para sempre.
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No Canto XXXIII Espírito do Conde Ugolino - Ptoloméia
Espírito do Frei Alberigo.
Vicente Almeida
05/07/2014