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A FOTO ACIMA É A VISÃO QUE TEMOS DA CHAPADA DO ARARIPE, A PARTIR DA NOSSA "VILA ENCANTADA".

domingo, 5 de agosto de 2012

DEUS EXISTE! - Por Vicente Almeida

A LUZ QUE VEM DO ALTO

NOS arredores de uma grande cidade, havia um casal com três filhos o mais velho com quatro anos e o mais novo com três meses de idade. Habitavam em uma palhoça no subúrbio afastado, por favorecimento de um senhor que não lhe cobrava aluguel de tão singelo casebre.

A pobreza cobria seus dias. A necessidade envolvia aquele casal como se não desejasse largá-lo. Nada possuíam que se pudesse identificar como patrimônio, com exceção da sua prole composta pelos três filhos. 

Na pequena palhoça não havia cama, improvisavam esteiras, forravam com velhos e carcomidos lençóis doados pelas criaturas sensíveis a dor alheia. O fogão improvisado ficava em um canto da casa que não possuía quartos, era composto de três pedras que formavam uma trempe e sobre elas uma pequena panela de barro com água. Algumas rachas de lenha apagadas ornavam a trempe e uma caixa de fósforos com meia dúzia de palitos estava sempre ali por perto, para, dizia ela: quando Deus mandar a comida, já terei tudo preparado para cozinhar.

Não viviam da mendicância, pois o pai era muito esforçado e onde houvesse a possibilidade de ganhar o sustento de cada dia, lá estava ele rogando trabalho. Enquanto isso a mãe se dedicava ao cuidado materno dos filhos e não podia sair de casa para procurar trabalho por que havia o pequenino, que estava requerendo extremados cuidados.

O tempo ia passando lentamente e a necessidade do casal só aumentava. Eles juntos oravam todas as noites, rogando ao Senhor Deus para não deixar seus filhinhos morrer de fome. Todas as manhãs o pai saía em busca de trabalho, e sempre voltava com o necessário, mas certo dia retornou de mãos vazias, e chorando abraçou a esposa e falou: Mulher, eu sei que Deus não nos abandonou, mas está muito difícil arranjar trabalho.

Hoje não teremos comida para nossos filhos e me dói ver o nosso neném sofrer por causa da nossa pobreza. Você já esgotou o leite materno pela ausência de com que se alimentar. Amanhã vamos pegar nossos filhos e procurar casais que queiram criá-los, assim eles terão o alimento de que precisam. A nossa dor será imensa, pois nunca mais os veremos, mas prefiro assim para eles não morrerem de fome.

Naquele dia, a ausência do que comer tirou o sono do casal e dos filhos que famintos choramingavam silenciosamente lá no cantinho do casebre, enquanto o pequenino nos braços da mãe olhava para ela com muita ternura, sem nada entender e sem saber que aquela poderia ser a última noite juntos.

E a noite foi se aprofundando até que os animais noturnos silenciaram. Ai os pequeninos finalmente adormeceram, o casal, carinhosamente consternado colocou-os sobre suas esteiras em sua volta e se ajoelharam para orar pela última vez na presença dos filhos, pois sabiam que no dia seguinte, iriam procurar alguém que os aceitasse.

Foi a noite mais longa de suas vidas, mesmo assim oraram com mais fervor e finalmente também adormeceram.

No dia seguinte ao acordar a esposa contou para seu marido que em sonho uma senhora havia lhe dito que aquela seria a sua última noite de pobreza extrema. Disse mais, que eles haviam passado na prova.

A mesma senhora falou que ela fosse a um grande supermercado que existia na cidade e lá fizesse uma grande feira de tudo que realmente precisasse para alimentar sua família durante um mês, mas, procurasse passar a feira no caixa ocupado por uma moça morena e de olhar sereno, e se houvesse grande fila mesmo assim esperasse lá a sua vez.

O seu marido ouviu tudo atentamente e disse: Mulher, a tua fome está te transtornando e eu não vou fazer isto, não quero ser preso. Imagine chegar ao caixa de um mercado de homens ricos e quando a moça somar tudo eu disser que não tenho com que pagar? Pense no vexame, A gente é pobre e se formos presos, ai é que nossos filhos vão sofrer.

A mulher disse: A senhora que falou comigo no sonho, foi como se eu tivesse acordada e vendo mesmo ela, e ela falou para eu não ter medo.

Vamos fazer assim, - disse a mulher: Você fica com nossos filhos lá fora, se eu for presa, você volta pra casa e faz que nem me conhece, ai você fica cuidando deles até eu sair da prisão. Assim ele aceitou e lá se foram para o supermercado, confiantes mas cheios de medo.

A esposa entrou no supermercado pegou um carrinho e foi olhando nas prateleiras o que era mais barato e necessário para alimentar a família e nele foi colocando. Parou quando já estava superlotado com tudo que ela de fato precisava.

Entre temerosa e confiante se dirigiu à bateria de caixas e começou a procurar uma moça com as características  que ouviu no sonho. Entre as morenas ali existentes, uma se destacava pela alegria que externava inspirando paz. Lá estava ela ostentando no peito um crachá contendo seu nome: "Rosário"  no decimo quinto caixa.

Era o único caixa com uma grande fila, mas aguardou pacientemente, enquanto lá fora o marido fazia o que podia para controlar as famintas crianças.

Ao chegar sua vez, seu coração disparou, e quis sair correndo e abandonando tudo, mas olhou lá fora e viu seus pequeninos com o olhar voltado para ela que já estava passando a mercadoria no caixa. Ai ela se lembrou da senhora do sonho e falou consigo mesmo, tenha fé!

Chegou sua vez, a moça do caixa somou tudo e ia dizer o total da feira, quando uma voz ecoou de repente nos alto falantes da loja “PAREM TODOS OS CAIXAS E ATENÇÃO, QUEREMOS FAZER UM COMUNICADO IMPORTANTE, NOSSO PRESIDENTE VAI FALAR"!

Naquele momento, fragilizada pelo sofrimento, silenciosamente a mulher começou a derramar lágrimas e pensou “É agora... Eles vão me prender!”

O proprietário do supermercado que havia chegado de viagem, ao assumir o microfone informou que aquele supermercado estava completando 25 anos naquele dia, e ia presentear um cliente com a feira que estava passando em um dos seus caixas. Além da feira o cliente também ganharia um ano de supermercado grátis, tudo isto em virtude do sucesso obtido nos seus negócios naquela cidade.

Pediu que aguardassem alguns instantes, pois ia fazer o sorteio entre os 15 caixas existentes.

Minutos depois anunciou: “O cliente sorteado é aquele que está no caixa da Rosário - o de numero 15. Peço que zerem sua conta e o encaminhe a Diretoria para completarmos o que foi anunciado”.

A Rosário então se dirigiu a mulher que estava a tremer de medo e falou “A senhora ouviu, "NÃO VAI PAGAR NADA!”

É impossível descrever a reação daquela pobre senhora. Precisaria de muitas páginas para falar da sua emoção e de quão grande era a sua fé. Deixo que você imagine a cena conforme as definições de sua sensibilidade.

Em seguida ela acenou para seu marido que também ouviu pelo microfone e veio correndo com os filhos. Ali mesmo se ajoelharam e deram Graças a Deus. Todos os presentes se surpreenderam com sua história de fé, quando ela contou por que estava ali e também queriam ajudá-los.

A partir daquele momento nada mais lhes faltou!

O proprietário do supermercado, sensibilizado com a história do casal contratou ambos para trabalhar na empresa e lhe ofereceram uma modesta e aconchegante casinha onde eles passaram a morar.

Escrito por Vicente Almeida
Este conto foi publicado pela primeira vez
em outras mídias, em
19/11/2010

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