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O LABORATÓRIO SIDERAL leva até você, somente POSTAGENS de cunho cultural e educativo, que trata do universo; das gentes; das lendas; das religiões e seus mitos, e de forma especial, dos grandes mistérios que envolvem nosso passado. Contém também muitos textos para sua meditação. Tarefa difícil, mas atraente. Neste Blog não há bloqueio para comentários sobre qualquer postagem.

A FOTO ACIMA É A VISÃO QUE TEMOS DA CHAPADA DO ARARIPE, A PARTIR DA NOSSA "VILA ENCANTADA".

domingo, 12 de agosto de 2012

ESPERTEZA MATUTA - Por Vicente Almeida


SÓ PRA DESOPILAR

Conta a história, que esse causo se deu no tempo do mil réis, no início do século XVIII em uma cidadezinha pra lá de onde Judas perdeu as botas, no tempo em que com exceção dos escravos, o único meio de transportes de cargas e passageiros era o animal, por sinal muito valorizado naqueles tempos.

Um simplório matuto, com sérias dificuldades econômicas resolveu vender o único bem que possuía: A sua burrinha. Chamou o seu compadre e lhe ofereceu por um mil réis - bastante dinheiro para a época.

O compadre mais arremedeado, comprou e pagou dizendo, amanhã levo a burrinha.

E no outro dia cedo chegou à casa do cumpade, e mantiveram o seguinte diálogo:

- Cumpade, vim buscar minha burrinha!

- Cumpade, ela morreu onte de noitinha, e tá lá no pasto pra ser enterrada!

- Antonce me devorve o meu dinheiro!

- Num posso, gastei onte mermo!

- Antonce quero levar minha burrinha!

- Mais ela tá morta, exclamou o outro!

- Levo assim mermo e vou rifá. Falou sério o cumpade comprador. Em seguida pegou uma velha carroça, botou a burrinha em cima e saiu.
***
Um mês depois se encontraram e o vendedor perguntou.

- Cumpade e a burrinha?

- Ora botei na rifa. Fiz cem biête dizendo que ela tava no pasto. Vendi noventa e nove biêtes, apurei nove mil e novecentos réis.

Dispois do sorteio fui com o ganhador buscar lá no pasto. Quando chegamo lá foi aquela supresa, ela tava morta!

- Mas cumpade e num deu uma grande briga não!

- Deu sim, que eu podia fazer né? Antonce mode sê onesto, eu devorvi os cem réis do biête dele e fui enterrar a burrinha!

Escrita por Vicente Almeida
12/08/2012

5 comentários:

  1. Passando por aqui para cumprimentar mais uma vez pelo Blog.

    Um bom Domingo.

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  2. Vicente:

    Este causo tem uma linguagem regional simbólica e muito bem concentrada. Agora rifar a burra morta é dose... O cumpadre foi desonesto e o comprador, seu cúmplice. Agora, ter conhecimento do século XVIII, isso eu não tenho vivência, mais saber que a moeda de destões e réis eu conheci, pois se estendeu pelo século XIX, ou não? Caso esteja errada me corrige.Não fiz uso da moeda mais sei pelas histórias que ouvia.
    Um abração pelo dia dos pais!
    Fideralina.

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  3. Eh...

    Fideralina:

    O título é Experteza Matuta. O comprador da burrinha foi simplesmente esperto. Não querendo ficar com o prejuízo fez a rifa, e não deu prejuízo ao ganhador pois lhe devolveu o dinheiro do bilhete. Também não queria constranger o cumpade vendedor cuja penúria já era demais.

    Esta é a lógica da história, mostrar que o matuto não é tão matuto como parece.

    Coitado, quando o matuto age com sabedoria é desonesto, mas se fosse um ricaço seria sabedoria mesmo. Vixe Maria!

    Quanto a moeda! O Réis foi criado em 1435 pelo rei português D. Duarte com o nome de real e para simplificar passaram a chamá-lo de réis, e somente chegou ao Brasil recem descoberto em 1572, mas só começou a circular de fato em 1654. O réis durou no Brasil até 1942 quando foi criado o cruzeiro.

    Frações do réis eram denominados: Ceitil que valia 1/6 do réis; Real que valia 1 réis; Vintém ou Esfera que valia 20 réis; Rial que valia 36 réis; Tostão que valia 80 réis; Pataca valia 320 réis e o Cruzado que valia 400 réis. Era uma grande confusão.

    Aa dificuldade da moeda no Brasil era muito grande e em 1614 o Governador Constantino Menelau fixou como moeda de troca, a arroba de açucar - 14,68 kg e valia 1$000 - hum mil réis.

    O destões era uma simplificação da palavra 10 tostões.

    Você sabia que o réis permaneceu em circulação com a entrada do cruzeiro até a década de 1.950?

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  4. Pois é Vicente.
    Tenho mesmo um bom professor. Sou grata pela oportunidade de aprender um pouco mais. E com um professor eficiente e entendido! Pena que ainda não saiba fazer comentários sobre determinados temas, mas, aos pouco che lá, quem sabe?
    Nota: Você viu o último SONETO de Sávio? "MARCA PASSO". Êta rapaz inteligente! Ele se supera mesmo. Se não viu ainda acesse meu blog, ele postou lá.

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