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O LABORATÓRIO SIDERAL leva até você, somente POSTAGENS de cunho cultural e educativo, que trata do universo; das gentes; das lendas; das religiões e seus mitos, e de forma especial, dos grandes mistérios que envolvem nosso passado. Contém também muitos textos para sua meditação. Tarefa difícil, mas atraente. Neste Blog não há bloqueio para comentários sobre qualquer postagem.

A FOTO ACIMA É A VISÃO QUE TEMOS DA CHAPADA DO ARARIPE, A PARTIR DA NOSSA "VILA ENCANTADA".

domingo, 23 de setembro de 2012

INQUISIÇÃO - Por Vicente Almeida


MEXENDO EM UM VESPEIRO

FREQUENTEMENTE ouvimos interrogações sobre a omissão de DEUS, isto é; a aparente ausência dEle, principalmente nos momentos de catástrofes. Também observamos os queixumes de muitos que desejaram algo em seu benefício, rogaram e não foram atendido. Aí DEUS também é acusado!

Mas a maior queixa na atualidade é: Por que a Igreja Católica está perdendo terreno para outras religiões?

Este é um questionamento relevante e merece teorização.

A RAZÃO por que ainda temos muitas religiões e sofrimento na face da terra é a mesma por que ainda não temos um governo único, isto é: Apesar de capacitados para o bem, o pensamento cósmico da coletividade terrena, ainda está muito arraigado em interesses pessoais. 

Queremos dizer que nos atuais quase sete bilhões de pessoas, raramente há combinação de ideais, cada um pensa em direção diferente. Até mesmo nas pequenas famílias, poucos sintonizam o mesmo ponto de vista SIMPLES ASSIM!

Vamos rever um pouco do nosso passado recente, que de certa forma afetou o futuro que hoje vivemos. Ainda sentimos o bafejo das ocorrência que vamos narrar. Ai entenderemos por que ainda não há harmonia na cultura das religiões nem nos governos.

Em dado momento esta matéria poderá parecer cansativa, enfadonha, mas você ficará entendendo menos e emitirá julgamento precipitado se não ler tudo. Por outro lado recomendo abandonar a leitura, caso se torne desagradável à sua sensibilidade.

No princípio da era cristã, Jesus Cristo, encarnado e nascido como filho do homem, ao passar pela terra deixou lições inesquecíveis, que se fossem utilizadas como ele nos legou teríamos hoje uma vida cristã voltada para a felicidade coletiva, que envolveria completamente o mundo cristianizado e além.

Após a morte de Jesus Cristo, seus seguidores iniciaram um trabalho de divulgação da boa nova, e o cristianismo se propagou rapidamente pelo mundo.

Durante 300 anos, os neo cristãos lutaram para manter acesa a chama viva do verdadeiro cristianismo levando a boa nova a todas as gentes. E conseguiam converter a muitos pelos belos exemplos de amor e renúncia que praticavam, além dos ensinamentos que secretamente passavam aos convidados a abraçar essa ideia.

A perseguição e o martírio de milhares de cristãos nas arenas de Roma, que os reis utilizavam para diversão sua e de seus convidados, não foi suficiente para que eles renegassem sua fé. Ao contrário do que pretendiam os perseguidores, a fé dos perseguidos não era abalada e fortificava ainda mais a sua força, com a adesão de outros milhares.

Os cristãos que não foram levados à arena eram cruxificados ao longo das vias públicas. Outras vezes eram queimados vivos. Eles aceitavam o martírio sem hesitar. Eram pacíficos. Foram aqueles, os únicos e verdadeiros cristãos.

Finalmente Constantino em 313 d.C. com o Edito de Milão concedeu a liberdade de culto aos cristãos. Mas isto não ocorreu por amor ou piedade aos perseguidos. tratava-se de uma estratégia política. A partir de então, o cristianismo cresceu como fogo em palheiro. Em 390 d.C. Teodoro com o Edito de Tessalônica oficializou como a religião do Império Romano.

A expansão religiosa no império romano também decretou o seu declínio. Em 476 d.C. Os hérulos, seguidos pelos ostrogodos invadiram a parte ocidental e depuseram o último imperador, Rômulo Augústulo. A parte oriental durou até 1453 quando Constantinopla foi tomada pelos turcos, iniciando-se a idade média. Mas isto é outra história, Estamos falando sobre a evolução do cristianismo.

Como dissemos, o movimento cristão se propagou além fronteiras. Contudo, com o passar dos séculos, cerca de 1.000 anos d.C. já estava sabotado pela pressão imposta aos povos para aderir ao cristianismo, além de muitos mitos criados para intimidar e atrair fiéis. O verdadeiro amor a Cristo foi enclausurado, e aos poucos substituído pelo amor possessivo a bens temporais, que até hoje perdura.

Assim, o objetivo religioso e espiritual professados pelos primeiros cristãos, cuja fé era inquebrantável, foi se transformando em voluptuosa ganancia pela posse de bens e poderes temporais, que exerciam um violento fascínio sobre as mentes dos responsáveis pela administração da igreja de Roma, cuja influência política e ideológica era inegável. Dai em diante, DEUS ficou em segundo plano, até hoje.

A partir de então, o cristianismo foi desvirtuado, e o que poderia ser uma fraternidade entre Deus e os homens, teve o seu curso desviado pela prepotencia e pela ganância.

Então pretendendo tornar o cristianismo uma religião mundial, na primeira metade do século XIII no papado de Gregório IX, os membros da igreja católica apostólica romana, em 1230 oficializaram o mais negro período da história da humanidade.

Foi decretado o período inquisitorial. Os doutores da lei na igreja católica passaram a exercer seu furor maquiavélico contra os não cristãos, iniciando-se uma longa e tenebrosa fase de dominação.

Santa Inquisição ou Santo Ofício, sob essas denominações foram encobertas as maldades praticadas pelo alto comando da igreja católica apostólica romana, durante cerca de seiscentos anos, até 1825.

Argumentavam que a finalidade da inquisição era combater as religiões não católicas, e ao mesmo tempo converter todas as gentes, e implantar o cristianismo universal, sob o comando da Santa Sé - UMA UTOPIA,  como a da II Grande Guerra, quando Hitler pretendeu criar a raça ariana. Mas isto será outra história. 

A inquisição torturou e matou cerca de trezentas e cinquenta mil pessoas em todo o mundo.

Se considerarmos também os mortos em campos de batalhas, nas guerras chamadas santas - As Cruzadas, podemos chegar a exorbitante número superior a dois milhões de vidas, ceifadas graciosamente. Mas aí os números não batem, os historiadores divergem muito sobre quantos morreram de fato. Sabemos apenas que em nome da fé, crimes horríveis aconteceram.

Os inquisidores tinham poderes e domínio absoluto sobre os não cristianizados, utilizando todos os meios escusos para obter resultados.

O martírio e a humilhação eram as formas de convencimento. O cidadão perdia seus direitos e assumia obrigações contrárias a sua natureza.

Antes de morrer eles eram supliciados, humilhados e em muitos casos expostos a execreção pública para deleite dos impúdicos olhares - As mulheres eram as principais vítimas desse nefasto crime.

Sob as órdens dos inquisidores, elas eram despidas, engaioladas e penduradas em praça pública, onde os traseuntes libidinosos tinham direito de atirar pedras ou cutucá-la em qualquer parte do corpo usando inclusive instrumentos pontiagudos ou cortantes. O sadismo parece que campeava entre os inquisidores.

A morte podia ocorrer ainda nas câmaras de torturas, onde as vítimas não suportavam as dores do suplício para confessar e assumir atos não praticados. o fogo lento, A separação dos membros por esticamento ou esquartejamento, O afogamento e a decepação de membros. Os mais visados eram os seios femininos. O terror e a vergonha impostos também levava a óbito.

O que ficou mais conhecido na história foi a morte na fogueira. O condenado era queimado vivo em praça pública, atado a um tronco com as mãos para trás, sobre uma pilha de lenha e sem possibilidade de esboçar qualquer reação.

A vítima símbolo da humanidade foi Joana D'Arc, que após derrotar os ingleses, esses conspiraram contra ela acusando-a de atos de bruxaria, fato aceito pelos inquisidores imediatamente e sem questionamentos. Após vinte meses de julgamento, foi condenada a morrer queimada viva, fato que se deu em 30 de maio de 1431.

As ferramentas utilizadas nos tribunais inquisitoriais, pareciam ter saído de um conto de terror. - As mentes que as construíram, certamente eram sádicas, tal a magnitude da maldade.

Aqui no Laboratório Sideral nos recusamos apresentar imagens das câmaras de torturas, e dos irmãos torturados, bem como das ferramentas utilizadas, embora tenhamos centenas em nossa biblioteca. Podemos dizer que eram pavorosas as formas de suplício. Se leitor desejar ver imagens sobre a inquisição, a internet está repleta. 

E que crime havia cometido o réu para merecer a tortura e o suplício? NENHUM! Bastava não aceitar o cristianismo e seus dogmas de fé como únicas e absolutas verdades. Na realidade todos aqueles que desobedeciam ou professavam uma doutrina contrária aos dogmas da Igreja católica apostólica romana, eram chamados de HEREGES ou ÍMPIOS e passíveis de prisão, suplício e morte.

SAIBA o leitor, que os bens do suposto delinquente passavam ao patrimônio da igreja ou de seus inquisidores, que expulsavam das respectivas propriedades - casas ou sítios, os remanescentes da família: Idosos ou crianças, sadios, deficientes ou enfermos eram simplesmente  despejados. E tudo isto com a coninvencia do estado, do feudo ou do reino sobre os quais o comando da igreja exercia seu poder pela intimidação e ameaças de penas eternas.

Diga-se de passagem que quando o réu era denunciado, mesmo sem culpa e a denuncia lograva exito, o denunciante recebia vinte e cinco por cento desses bens. Poderemos imaginar quantas denúncias foram efetuadas por interesses escusos!

Todas essas atrocidades eram cometidas em nome de Deus. É admissível que muitos dos comandados acreditassem estar agindo corretamente, ou eram pressionados a seguir o rito da inquisição sob pena de ser também considerados infratores - HEREGES, por tanto sujeitos as penas impostas pelas normas inquisitoriais.

Entretanto é impossível acreditar que os membros dos conselhos deliberativos da igreja católica daquele período inquisitorial fossem tementes a Deus, e praticassem os dogmas de fé exigidos do povo. Eles permitiram e determinaram agressões físicas e morais culminando com a morte de milhares de inocentes. É muito contraditório. Só mentes insanas e sádicas possuiam capacidade para idealizar tanta maldade. E imagine: Muitos foram canonizados. Hoje, aqui no Brasil não é diferente com a classe política, que legisla em causa própria, dando-se exorbitantes aumentos por uma semana mensal de trabalho, além de benefícios a perder de vista, não precisam fazer greve por melhorias salariais. Não são canonizados, mas são sacramentados de novo, e de novo, e de novo, a cada quatro anos. 

Mas voltando a inquisição, 500 anos após a morte de Joana D'Arc, em reconhecimento ao erro praticado pela igreja no período inquisitorial, o Papa Bento XV homologou sua canonização, reabilitando-a definitivamente aos olhos do mundo.

Galileu Galilei 1664, célebre cientista, alquímico e astrólogo, escapou da fogueira por haver se retratado de sua teoria científica, onde afirmava que o sistema planetário era heliocêntrico, contrário aos dogmas da Igreja que imputava como geocêntrico.

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Tudo isto não é motivo para nos levar a desacreditar das instituições. Elas são administradas por homens falíveis, imperfeitos, e cada época tem o seu povo e a sua visão do mundo e das coisas. Evoluímos, lentamente, mas, evoluímos. 

Os fatos aqui narrados fazem parte da história da humanidade, e não podem ser modificados, contudo, muitos, por simples acomodação desconhecem ou não pretendem conhecer. Mas este é o nosso mundo e precisamos saber muito mais sobre ele!

Escrito Por Vicente Almeida
23/09/2012

2 comentários:

  1. Vicente, é lamentável que todos estes fatos tenham acontecido; ou melhor que continuem acontecendo, só que de maneira muito sútil e rara: mas haverá um dia, em que todos acreditaram em um só DEUS verdadeiro e único; sem nenhuma sombra de dúvida.

    Com meu abraço fraterno. Fatima Bezerra Cordeiro.

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  2. Inquisição - Santa inquisição. Tive acesso aos arquivos de imagens das câmaras de torturas e dos procedimentos. Foi muito bom que nesta postagem não houvesse uma só daquelas gravuras. É horrível quando nos voltamos para conhecer certos fatos do passado. Sofremos só em imaginar o que aquelas criaturas passaram.

    Valdênia Almeida

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